Acessibilidade digital: chegou o momento da sua marca implementar essa ideia

Acessibilidade digital

Se você usa a internet, com certeza, já viu alguma ferramenta de acessibilidade digital por aí: seja a audiodescrição na sua televisão, uma hashtag de conscientização na rede social ou até mesmo uma legenda nos vídeos que você costuma assistir sem som.

Tudo isso pode passar despercebido no dia a dia de quem não precisa dessas adaptações, mas saiba que a acessibilidade digital é essencial para quem não consegue consumir o conteúdo de outra forma.

No conteúdo a seguir, você vai descobrir a importância de adaptar seu conteúdo com mudanças que vão desde simples adaptações de texto a softwares complexos para que a web se torne um lugar acessível para todos. 

 

O que é acessibilidade digital?

No mundo atual, é praticamente impossível que alguém nunca tenha ouvido a palavra acessibilidade, mas poucos conhecem a acessibilidade digital, um passo a mais nos esforços por uma sociedade mais justa e igualitária.

Se, na vida real, acessibilidade significa tornar lugares, situações e recursos acessíveis para pessoas com deficiências ou dificuldades de qualquer natureza, no virtual não é diferente: a acessibilidade digital é definida como uma série de otimizações em sites e aplicativos a fim de que todos tenham acesso, compreensão e interação com qualquer conteúdo na web.

Em outras palavras, tornar a acessibilidade digital uma realidade é como construir rampas e elevadores em um lugar cheio de escadas, bem parecido com a forma que a internet está organizada atualmente. 

 

Por que acessibilidade digital é tão importante? 

Como você pode ver até aqui, defender e investir em acessibilidade digital é fazer uma internet acessível para todos — e isso envolve muito mais pessoas do que você provavelmente imagina.

Quando falamos em acessibilidade digital, estamos falando de possibilitar o acesso a conteúdos para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, mas também, para idosos, leigos no uso de tecnologia e pessoas com baixo letramento que, nem sempre, conseguem acompanhar tudo na mesma velocidade que o restante de nós.

Deixar de adaptar o seu site, página e demais conteúdos online não apenas dificulta o consumo por parte desses grupos, mas, muitas vezes, torna o conhecimento distante e até impossível.

De acordo com o Consórcio World Wide Web (W3C) — uma comunidade internacional que desenvolve padrões para garantir o máximo desempenho da web, liderada pelo próprio criador da web, Tim Berners-Lee, e Jeffrey Jaffe — a acessibilidade digital pode ser definida como a possibilidade e a condição de alcance, percepção, entendimento e interação para a utilização, a participação e a contribuição, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, em sítios e serviços disponíveis na web, por qualquer indivíduo, independentemente de sua capacidade motora, visual, auditiva, intelectual, cultural ou social, a qualquer momento, em qualquer local e em qualquer ambiente físico ou computacional e a partir de qualquer dispositivo de acesso.” (W3C, 2022).

Inclusive, essa definição se encontra na Cartilha de Acessibilidade na Web, um material exclusivo, desenvolvido pelo W3C, a fim de difundir gratuitamente os caminhos para uma web cada vez mais inclusiva e acessível para todos.

Não diferente, o Movimento Web Para Todos surgiu da percepção da empreendedora Simone Freire de mobilizar e educar a sociedade para transformar a web brasileira em um ambiente mais inclusivo.

Criado em 2017, em parceria com a Espiral Interativa e o próprio W3C com diversas organizações transformadoras, o MWPT é uma rede que conecta diversas outras pessoas, empresas e iniciativas que compartilham da causa da acessibilidade digital.

Segundo o manifesto do movimento, “quando a web não é acessível, as definições de inclusão, igualdade e autonomia são diretamente impactadas pelas barreiras de acesso que elas encontram.” (MWPT, 2022).

Por isso, tornar a internet um lugar mais acessível não é só uma questão de adequar seu site, mas sim, de impactar e moldar a sociedade. Assim, todas as pessoas, sem qualquer exceção, podem ser parte ativa da comunidade, aprender e contribuir para um coletivo cada vez mais rico e diverso.

 

Acessibilidade digital hoje

Uma pesquisa divulgada pela Sortlist em 2022 mostrou que o Brasil é o segundo país a passar mais tempo por dia na internet: são 10 horas e 8 minutos diários — o que dá 154 dias no ano — estudando, trabalhando ou usando a web para qualquer uma das infinitas possibilidades que ela oferece.

Muito tempo, não é mesmo? Mas essa realidade muda um pouco quando se trata da população com deficiência, composta por 45 milhões de brasileiros, de acordo com o último levantamento feito pelo IBGE.

Para entender  esse raciocínio e a urgência da acessibilidade digital, é preciso analisar o outro lado, dos sites e páginas online. É o que mostrou o estudo feito pelo Movimento Web Para Todos em 2020, em parceria com a BigData Corp.

A pesquisa analisou imagens, links e formulários — três das principais barreiras de acessibilidade presentes nos sites — em mais de 13,9 milhões de sites brasileiros e o resultado foi espantoso: menos de 1% passou em todas as verificações sem apresentar nenhum erro.

Exatamente 99,26% dos sites testados apresentaram pelo menos uma falha, o que mostra a grande dificuldade de adaptação aos padrões técnicos necessários para que um conteúdo chegue a todos os usuários por meio da acessibilidade digital.

Infelizmente, a falta de acessibilidade não é exclusividade da web, mas ela pode ser a porta de entrada e transformação para vários setores da sociedade, afinal, investir em acessibilidade digital é investir em todos.

 

Como aderir à acessibilidade digital

Apesar de ser impossível mudar estruturas inteiras da sociedade de um dia para o outro, algumas medidas podem ser implementadas hoje mesmo para melhorar o seu conteúdo e torná-lo realmente acessível.

 

Conheça as tecnologias disponíveis

Algumas medidas simples na hora de desenvolver seu site e colocá-lo no ar podem transformar a forma como as pessoas o acessam. Um exemplo é deixar elementos ativos, para que usuários que navegam por meio da tecla TAB, por exemplo, também possam ler o conteúdo.

O mesmo vale para os links com descrições corretas e textos descritivos nas imagens, que possibilitam a compreensão desses elementos por outras tecnologias assistivas de acessibilidade digital.

E, por falar em tecnologias assistivas, conhecer essas ferramentas já é um passo para tornar suas produções mais acessíveis, já que, assim é possível compreender os ajustes necessários para que um conteúdo chegue a todos.

 

Torne as imagens e vídeos legíveis para todos

Você já ouviu a frase “uma imagem vale mais que mil palavras”? Bom, nesse caso, mil palavras podem fazer muito mais que qualquer imagem quando se trata de acessibilidade digital.

Não somente para cegos, mas também pessoas com baixa visibilidade e outros distúrbios relacionados à visão — como daltonismo, astigmatismo, etc —, usar imagens sem nenhum recurso para traduzi-las em palavras pode se tornar uma barreira para abrir ou permanecer no seu site.

E a transformação começa muito antes das imagens ilustrativas. A forma como seu site se apresenta já é determinante para facilitar ou dificultar sua leitura. Você pode começar utilizando o contraste a seu favor em todas as imagens e também na cor de fundo das páginas, para que o texto fique mais legível.

Pode não parecer, mas legendar uma imagem pode tornar seu conteúdo muito mais inclusivo e essa é só uma das adaptações em que você pode investir. Inclusive, esse ato já é bem conhecido e aparece em muitas legendas nas redes sociais com a #PraCegoVer.

Além das imagens, inserir legendas nos vídeos também é uma ótima solução e, dessa forma, além de ser mais acessível para quem tem deficiências auditivas, seu conteúdo se torna mais acessível até para pessoas que não têm nenhuma barreira de acessibilidade, mas assistem vídeos sem som.

Muitos preferem deixar o celular no mudo e, portanto, legendar seus vídeos dá ao seu conteúdo uma chance a mais de ser consumido por todos. Mesmo que você não tenha uma grande equipe envolvida na sua produção, hoje existem vários aplicativos que podem legendar seu conteúdo automaticamente em poucos cliques.

Nesses casos, além das falas ou narração do vídeo, também é válido descrever o tom da trilha ou efeitos sonoros, principalmente quando eles fazem parte da construção do contexto e narrativa do vídeo.

Ainda falando sobre os vídeos, além das legendas, você também pode incluir uma caixinha com a tradução simultânea do conteúdo em libras e, assim, tornar seu conteúdo ainda mais inclusivo e completo. 

 

Escreva de forma acessível

Além das imagens e da forma visual como o seu site se apresenta, algumas adaptações de texto também podem melhorar ainda mais seu conteúdo.  

A primeira dica é muito simples e trata-se apenas de alinhar o texto à esquerda. Segundo os princípios de UX, justificar o texto dessa forma garante sua legibilidade para mais usuários.

Mas otimizar seu texto vai muito além disso. Usar expressões mais comuns ao invés de termos difíceis e escrever com uma linguagem mais fácil — às vezes, menos formal — também torna o conteúdo mais acessível. Você também pode fazer menos uso de voz passiva (quando o sujeito sofre a ação ao invés de praticá-la) e construir frases mais curtas para facilitar a compreensão de todos.

 

Confira se está tudo certo

Por fim, antes de divulgar todas as mudanças que você fez no seu site, é importante testar se tudo está funcionando bem e, para isso, existem alguns avaliadores disponíveis online, como o próprio Avaliador do Movimento Web Para Todos, que compara o site com outros já analisados pela ferramenta.

Assim como o avaliador do MWPT, eles também classificam seu site em uma espécie de escala de acessibilidade e apontam alguns problemas que podem ser corrigidos para tornar o conteúdo mais acessível.

Todas essas mudanças podem parecer difíceis de serem implementadas, mas, tudo se torna pequeno, se comparado com as dificuldades que as pessoas com deficiência passam todos os dias, simplesmente para usar a web.

Com algumas adaptações, testes constantes e uma boa dose de empatia, seu conteúdo pode chegar a todos os usuários e se tornar um exemplo de acessibilidade digital para transformar a internet e, por fim, toda a sociedade.

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